O melancólico centenário da Casa Andrade Muricy

Foto: OCENTRODECURITIBA

Na próxima segunda-feira, dia 21 de setembro, a Casa Andrade Muricy completa 100 anos. A data, que deveria ser motivo de celebração da memória e da cultura de Curitiba, encontra o imóvel ainda fechado e marcado por mais de uma década de abandono.

Inaugurado em setembro de 1926 para abrigar repartições públicas, o edifício em estilo eclético foi sede da Secretaria da Fazenda e, posteriormente, passou a ser ocupado por órgãos ligados à cultura. Em 1998 e nos anos seguintes, o endereço viveu seu auge, quando colocou Curitiba no roteiro de grandes exposições. A estreia veio em alto estilo com a mostra American Graffiti, trazendo obras de ícones internacionais como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring, além de uma sequência de exibições nacionais e internacionais de peso.

Toda essa relevância ruiu em 2014, quando o espaço foi fechado para intervenções de manutenção. O que era para ser uma pausa técnica virou abandono definitivo. Trincas no gesso, infiltrações e problemas estruturais graves se acumularam. Nem mesmo o anúncio governamental em 2021 de transformar o local no “Palácio da Seda” saiu do papel.

A responsabilidade pela recuperação é do Governo do Estado e, neste momento, está concentrada na Secretaria Estadual de Cidades, responsável por abrir a licitação para a execução das obras. O processo se arrasta desde 2019. O projeto de restauro foi elaborado, a análise de viabilidade concluída e as aprovações municipais obtidas em 2024. Agora, falta tirar a obra do papel.

A Prefeitura não é responsável pela obra. Mas isso não a impede de ser cobrada politicamente. Ao mesmo tempo em que divulga o programa “Curitiba de Volta ao Centro”, não demonstrou, no caso da Andrade Muricy, esforço relevante para articular e acelerar a recuperação de um patrimônio que integra a história da cidade.

Quem foi – José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984), neto do médico baiano Dr. Muricy, que dá o nome da Alameda onde fica o edifício, foi escritor, crítico literário e musical.

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