Centro ganha arte em homenagem ao povo Kaigang e às araucárias

site

Nesta semana, o Centro da cidade ganha sua primeira empena com arte indígena, transformando a lateral do edifício Portal do Passeio, na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, em uma homenagem à cultura e à ancestralidade dos povos originários.

A obra, assinada pela artista Daiara Tukano, recebe o título “Kamé e Kairu – O Sol e a Lua na Terra das Araucárias” e celebra o povo Kaingang, representantes de cerca de 70% da população indígena do estado do Paraná.

Carregada de significados, a pintura retrata o sol e a lua, símbolos de duas metades complementares na tradição Kaingang. “O sol é o lado guerreiro, que é o lado das pinturas abertas e linhas retas; e a lua representa o rezador, que é o calmo e tem grafismos em formas arredondadas”, explica Daiara.

Idealizado por Giusy de Luca e Bernardo Bravo, o projeto é resultado de quatro anos de pesquisa e preparação. Com aproximadamente 700 metros quadrados, a obra ganha forma pelas mãos das artistas Didi Sapiência, de São Paulo, e Laura Palta, do Chile, que trabalham suspensas a 66 metros de altura.

O protagonismo das mulheres também é um dos pilares da iniciativa. “Já que é uma obra de uma artista mulher, trouxemos uma equipe qualificada, na qual a maioria são mulheres especialistas em distintas áreas”, afirma Giusy, da produtora Mucha Tinta.

Integrante do povo Tukano, do Amazonas, Daiara desenvolveu a homenagem a partir do diálogo com representantes Kaingang, respeitando os símbolos e os significados dessa cultura. “Eu não sou Kaingang, mas quis homenagear, porque é uma maneira de demonstrar carinho e respeito”, conta a artista.

A araucária, elemento vital do território sagrado dos Kaingang, também ocupa lugar de destaque na composição. Ao levar essa simbologia para a fachada de um edifício no coração da cidade, a obra evidencia a força dos povos indígenas e sua relação ancestral com a terra.

A apresentação da arte acontece na próxima quarta-feira, 28 de outubro, em um evento no terraço do Cine Passeio. A entrega celebra a memória, a cultura e a presença dos povos indígenas no Sul do Brasil, ampliando a visibilidade de suas histórias e tradições no espaço urbano.

Compartilhe este conteúdo