Casa da Vó, o grande exemplo de atendimento à população de rua

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Um edital conjunto dos ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Justiça e Segurança Pública foi o empurrão que Vanessa Lima, coordenadora do @projetomaosinvisiveis, precisava para tirar do papel um projeto que era um sonho: criar um espaço onde a Vó Jandira pudesse atender os seus “netinhos” (nossos leitores já sabem de quem se trata: Jandira Maria Tozone, 76 anos, 33 deles integralmente dedicados a cuidar voluntariamente das pessoas nas ruas da cidade). “Quando o edital foi publicado, já tínhamos o projeto pronto”, conta Vanessa. O próximo passo era achar um local onde se pudesse ofertar todos os serviços com qualidade e de forma humanizada. Uma grande e antiga casa para alugar foi a peça que faltava — o imóvel havia abrigado recentemente um restaurante e já tinha todos os equipamentos necessários, como cozinha, vestiários com chuveiros, salas para atendimento e lazer.

Quatro meses depois da inauguração, a Casa da Vó já atendeu mais de 900 pessoas em situação de rua, todas devidamente cadastradas.

A casa trabalha em duas frentes. A primeira são os serviços essenciais de higiene, cuidado e acolhida (banho, lavanderia, guarda de pertences, psicólogo, cabeleireiro, canil e gatil, acesso à internet e até rádio comunitária). A segunda visa o acesso a direitos, com oferta de orientação jurídica, documentação civil, encaminhamento à rede SUAS e SUS, profissionalização e atendimento técnico social.

O ambiente é aconchegante e acolhedor, bem diferente da frieza dos poucos equipamentos públicos tradicionalmente oferecidos pelo município para esta população — que mais se assemelham a delegacias ou repartições fuleiras.

Mas toda a boa estrutura talvez não funcionasse se não fosse a expertise do Mãos Invisíveis, que há 8 anos convive com a população de rua por meio de seus cafés, realizados religiosamente todos os domingos, e o carisma de Vó Jandira, que tem o respeito, a admiração e o carinho de todos os que vivem nas ruas do Centro. O tratamento na casa é de igual para igual, dispensando a autoridade policial.

“A Casa da Vó chega para fazer história”, disse Vanessa na inauguração do equipamento, em junho. Pois, a história já está sendo feita.▪️

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